terça-feira, março 06, 2007

Museu de horrores

Não censuro a intenção do presidente da Câmara de Santa Comba Dão, de querer criar um espaço museológico sobre Salazar, desde que não tenha intuitos de nostálgico proselitismo e sirva de centro de estudos sobre o Estado Novo; ou seja, desde que um tal museu se constitua como plataforma científica de arquivo e investigação historiográfica de um período de má memória da biografia recente de Portugal. É fundamental constituir as bases do futuro sem escamotear a memória do que passou, até para evitar pretéritos erros cometidos e para, em contraponto, estimular nas consciências o importante traço mnésico de efemérides como o 25 de Abril. Com tal atitude, pratica-se uma democracia consequente, a qual deve funcionar como espaço de liberdade e de exemplo que, curiosa e paradoxalmente, o ditador beirão não permitiria no tenebroso tempo em que infelizmente dirigiu censória e hediondamente os destinos do império...
Se esse projectado estabelecimento não representar um santuário encapotado destinado a homenagear Salazar e glorificar as patifarias autocráticas do seu regime, então a função cívica dessa iniciativa é inquestionável. É que mal vai uma sociedade que diz defender a democracia e, contraditoriamente, combate o dogma e o preconceito com... outros dogmas e preconceitos!

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3 Comments:

Blogger morffina said...

Subscrevo.
Mete-me um bocado de espécie é a câmara ter acordado em pagar ao sobrinho-neto do "dito -cujo" 2000 Euros pelo uso de propriedade. Espero que o retorno cubra estas e outras despesas.

Abraço
MF

5:44 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Horrores...enfim, passei no pós 25 de Abril em que amigos meus foram detidos com mandatos assinados em branco pelos senhores do copcon, e foram espancados e torturados sem saber porquê. Deixem lá o homenzinho, que quer gostarmos ou não faz parte da nossa historia, a única coisa que lhe deve é não ter mandado o meu pai para a 2ª guerra mundial.

12:04 da manhã  
Anonymous Sem Quorum said...

Caro(a) leitor(a):
1. Ocultar a identidade não é uma forma corajosa de defender as convicções pessoais, por muito inconformistas e heterodoxas que sejam.
2. Julgar os méritos de alguém só porque protegeu um parente nosso é revelador de egoismo e pouca lucidez intelectual de análise (de facto, com o mal dos outros podemos nós bem!); há que evitar o reducionismo simplista, que é contraproducente.
3. Não percebo a invocação do Copcon: não sou salazarista pelas mesmas razões que não sou comunista, ou seja, não advogo uma ditadura de um sentido por animosidade com uma ditadura de sinal contrário. Parece que Salazar não mandou espancar nem torturar sem dizer porquê e que não fomentou mandatos assinados em branco por simples delito de opinião. O Gulag e o Tarrafal, meu caro(a) amigo(a), não foram muito diferentes...
Cumprimentos e, de qq modo, obrigado pelo comentário que alimenta o debate!

11:43 da manhã  

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