quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Post merdoso!

A semântica associada ao termo «merda», na língua portuguesa, é deveras curiosa e a sua riqueza polissémica (inversamente proporcional à pobreza de dejecto que materialmente representa) evidencia a frequência com que ela é oralmente proferida. Eis alguns exemplos justificativos:
i) como indicação geográfica: "Onde fica essa merda?"
ii) como indicação de sentido: "Vai à merda!"
iii) como indicação de horário: "18:00h! Vou embora desta merda."
iv) como qualificativo: "És uma merda!"
v) como indexador monetário: "Isto não vale uma merda!"
vi) como indicador salarial: "Trabalho tanto e não ganho merda nenhuma!"
vii) como qualificação profissional: "Só fazes merda!"
viii) como indicativo experiencial: "Ele já faz muita merda!"
ix) como sinónimo de cobardia: "És um merdas!"
x) como questionamento dirigido: "Fizeste merda, não foi?"
xi) como indicador visual: "Não vejo merda nenhuma!"
xii) como sensação olfactiva: "Isto cheira-me a merda..."
xiii) como elemento de dúvida: "Por que não vais à merda?"
xiv) como desconhecimento e surpresa: "Que merda é essa?"
xv) como indicador natalício: "Não recebi merda nenhuma de presente!"
xvi) como auxiliar de aceleração: "Rápido com essa merda!"
xvii) como indicador de espécie: "O que esse merda pensa que é?
xviii) como indicador de continuidade: "É a mesma merda de sempre..."
xix) como indicador de desordem: "Está tudo uma merda!"
xx) como aplicativo de resultado: "Só podia dar merda!"
Certamente que esta lista do âmbito semântico de tão nauseabundo termo não esgota outros usos lusófonos possíveis e que conferem odores mais foneticamente higiénicos e estabelecidos no vernáculo idiomático. Este é o que se pode chamar um post... da merda!

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2 Comments:

Blogger morffina said...

What's this shit all about?

1:59 da tarde  
Anonymous Jofre Alves said...

Não pude deixar de rir com tanta e acertada definição, todas acertivas. Mas falta uma, que dou a liberdade de indicar.

Como forma indicativa de desgoverno: «isto é um governo de merda» (no Minho diremos: «isto é um goberno de bosta»).

De resto e em tudo estava correcto e interessante, a merecer elogios e leitura cuidada. Até breve.

3:35 da tarde  

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