terça-feira, novembro 20, 2007

Requiem pela Educação

Só falta a publicação em Diário da República do novo regime de avaliação do desempenho docente para que, definitivamente, o sistema educativo português se consolidar como uma fraude completa. Porém, nem essa promulgação seria necessária para constatar que a educação no nosso país é já uma absoluta farsa e que ser professor passou a ser uma mera função burocratizada, despida que foi da dignidade pedagógica que timidamente ainda a ia caracterizando.
Os Conselhos Executivos converteram-se em meras correias de transmissão da vontade arrogante e ignorante da 5 de Outubro: para que as escolas tenham contratos de autonomia, os resultados são o critério decisivo e fundamental, independentemente do enquadramento sócio-cultural e económico do estabelecimento de ensino. As inspecções que vão policiar as escolas impõem o aproveitamento escolar como factor determinante da avaliação externa das escolas, tudo com o fito de melhorar as estatísticas nacionais. Qualquer pessoa informada e séria sabe que não é assim que se melhoram tais índices, como se os professores, sobrecarregados de burocracia e algemados no seu desempenho por legislação ignóbil e contrária à qualidade do desempenho docente, pudessem resolver num ano lectivo e no espaço da sala de aula os múltiplos problemas, dificuldades e deficiências que os alunos trazem consigo.
O sucesso fácil é a prova de como os sucessivos governos, e em particular este, têm desmantelado a Educação. Lurdes Rodrigues e a sua horda parasitária querem diplomados ignorantes e não cidadãos instruídos - agora até já nem precisam de frequentar as aulas! Não será isto um crime e os seus autores criminosos?
A Educação morreu - paz à sua alma!

3 Comments:

Blogger Joshua said...

O que escreves é a mais pura realidade. Não imaginas o bem que me fez acabar de ler o que te li agora. Por muito que me custe anuir, é simplesmente o que sinto, o que vivo, o que leio.

Fiz um link interno de este teu texto lá num dos meus mais recentes e tematicamente equivalentes.

Abraço

joshua

6:36 da tarde  
Blogger Pedro Vitoria said...

A política do ME é a ponta do iceberg, a mais desprezível certamente, porque poderiam tentar inverter a tendência.

Mas e a pressão dos pais e dos alunos aos professores para notas inflacionadas?

E também a pressão dos colegas no Conselho de Turma nas Reuniões de Avaliação?

E, por fim,os alunos de outros professores a ultrapassarem os nossos no acesso aos Cursos desejados por terem melhores notas de frequência?

Se o problema fosse desta equipa do ME dormiria eu descansado...

O cancro, infelizmente, é mais profundo.

8:48 da tarde  
Anonymous Sem Quórum said...

1. Olá Joshua! Ainda bem que te identificaste com o teor deste post, para variar :) Obrigado pelo link do texto!
Abraço,
ALM

2. Olá Pedro! Tens razão, mas é a um governo que compete ser sério e legislar convenientemente; não são os pais dos alunos ou os profes sem carácter (que os há) que devem legislar - se calhar, estes é que são a ponta do iceberg, embora não se candidatem a eleições e não precisem de votos... Portanto, o problema é, sobretudo, esta equipa do ME: a ignorância conjugada com a arrogância trazem a irresponsabilidade!
Abraço,
ALM

4:47 da tarde  

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