terça-feira, junho 20, 2006

O carpinteiro hipostasiado

Indico a seguir alguns aspectos biográficos e traços psicológicos referentes a alguém cuja identidade talvez seja conhecida.
Nasceu de uma virgem em 25 de Dezembro, numa gruta; o seu nascimento foi assistido por pastores. Não, não é Diónisos (que teve por pai Zeus e por mãe a virgem Semele)...
Foi considerado um grande mestre e um instrutor itinerante, fazendo-se acompanhar por doze discípulos. A quem o seguisse era-lhe prometida a imortalidade, tendo mesmo realizado milagres. Identificava-se com o «Sol nascente». Foi sepultado e ressuscitou ao fim de três dias, sendo a sua ressurreição celebrada todos os anos. Era também designado de «Bom Pastor» e identificava-se quer com o cordeiro quer com o leão; consideravam-no "o Caminho, a Verdade e a Luz", como igualmente «Logos», «Redentor», «Salvador» e «Messias». Consagraram o domingo como o seu dia, a que chamaram o «Dia do Senhor». A principal festividade que lhe foi dedicada ocorria por altura do equinócio da Primavera, uma época do ano actualmente conhecida entre nós por Páscoa. Na celebração litúrgica em sua honra havia um ritual eucarístico, ou «Ceia do Senhor», em que esta importante personagem era lembrada invocando-se a afirmação que ela própria enunciara em vida: "Quem não comer o meu corpo e não beber o meu sangue, para que possa ser um comigo e eu com ele, não será salvo."
Já se torna fácil identificar a figura que evoco, tantas são as pistas. Trata-se obviamente de... Mitra, cuja primeira referência conhecida encontra-se numa tabuínha cuneiforme de 1400 AEC (quinze séculos antes de Cristo!) a propósito de um tratado entre os Hititas e os Mitanni. A Pérsia - actual Irão - foi o foco de difusão do culto a Mitra, divulgado sobretudo no Império Romano entre os séculos 1 e 3 EC. A um judeu da Galileia dessa época, carpinteiro de profissão e conhecido por «nazareno», atribuíram desavergonhadamente as mesmas características e, contra a sua própria vontade, fundaram uma nova religião.
Que falta de criatividade! Que pena não haver nesse tempo legislação protegendo direitos de autor! Que exemplo paradigmático de como a cópia passa por original e se vende gato por lebre! É caso para dizer que há crimes perfeitos e que o cristianismo também é um comercial embuste e uma simples iMITRAção!

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9 Comments:

Anonymous MORFFINA said...

Acho que vou-me queixar à DECO mas não sei se terão dinheiro para pagar indeminização a tanta gente. E daí ...talvez até tenham. Sim devem ter. Mas depois de 2 mil e tal anos vão alegar que prescreveu, de certeza. Com os advogados dos diabos e do diabo que eles têm, não devo ter hipótese. Mais vale só mandá-los para o diabo que os carregue. Acho que é assim a expressão ou então: go to hell!
Por falar em Deco. Penso que também há uma marca de bolas de desporto chamado Mitre. Se calhar terei mais hipóteses.

11:56 da tarde  
Blogger O Micróbio II said...

"Mitra - Barrete achatado e pontudo, com duas faixas que caem de trás sobre as costas, utilizado pelos bispos da Igreja Católica e da Igreja Anglicana, sejam eles bispos, arcebispos, cardeais ou mesmo o Papa. No caso do Papa, a mitra pode ter o formato de uma coroa tripla, sendo, neste caso, chamada de tiara papal ou "triregnum". O uso da tiara papal foi abolido pelo Papa Paulo VI, que adotou a mitra comum, com a intenção de enfatizar mais o caráter pastoral do que temporal da autoridade pontifícia. A mitra usada pelo bispo é simbolo do Espírito Santo descido sobre as cabeças dos Apóstolos de quem os bispos são legítimos sucessores. Por isso, apenas aos bispos, salvo por especial delegação, cabe a imposição do Espírito Santo no sacramento do Crisma ou Confirmação."

10:15 da manhã  
Blogger O Micróbio II said...

"Mitra - Na Índia e Pérsia representava a luz (deusa solar). Reprensentava também o bem e a libertação da matéria.

Chamavam-no de "Sol Vencedor".

Entre os persas, Mitra aparece como filho de Ahura-Mazda, deus do bem, gerado em uma virgem, a deusa Anahira.

O culto de Mitra chegou à Europa e se manteve até cerca do século 3.

Em Roma, foi cultuado por alguns Imperadores. Foi denominado Protetor do Império.

O símbolo de Mitra era o touro, animal que se usava nos sacrifícios à esta divindade.

Há algumas peculiaridades do mitraísmo que foram agregadas a outras religiões, como o cristianismo.

Celebrava-se, desde a Antigüidade, o nascimento de Mitra em 25 de Dezembro.

O mitraísmo entrou em decadência a partir da formação da Igreja Católica como instituição, durante o império de Constantino."

10:17 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

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10:48 da manhã  

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