quarta-feira, maio 24, 2006

Estado dubitativo - 5

A circunstância que a seguir se descreve é ficcional, porém, bem real!
Após dormir numa cama, feita em Paços de Ferreira com madeira brasileira, com a cabeça bem acomodada sobre a almofada de algodão egípcio, Eustáquio Maria acordou ao som estridente do seu despertador japonês. Levantou-se e calçou os chinelos argentinos, de pele bovina. Tomou um duche revigorante com champô e gel franceses, após o qual se barbeou com a máquina eléctrica chinesa que comprou a bom preço. Secou o corpo numa toalha de linho marroquina e vestiu-se: camisola cingalesa de algodão, boxers e jeans de marca made in Singapura e calçou os ténis vietnamitas. No pulso, o desportivo relógio analógico suíço.
Bebeu o sumo de laranja israelita, acompanhado de torradas de trigo norte-americano, preparadas na torradeira holandesa e barradas com manteiga açoriana, e bebeu o café colombiano feito na sua máquina expresso checa. Confirmou que não se esquecera da máquina de calcular sul-coreana nem do telemóvel finlandês e consultou a internet no seu computador tailandês para ver as previsões meteorológicas para esse dia. Depois de ouvir as notícias das 8 no seu rádio alemão, sentado no sofá de couro dinamarquês, saiu de casa e entrou no seu carro sueco. Mais tarde, o Eustáquio Maria almoçou num centro comercial num restaurante de comida indiana, onde as refeições são servidas em louça indonésia, e que degustou com vinho chileno em copo de vidro espanhol.
Ora, a dúvida é a seguinte: pelo exposto, será que é possível estar integrado na sociedade e evitar os efeitos da globalização económica? Poderá Portugal ser competitivo com um aparelho produtivo ineficiente? Alguma vez exportaremos (quase) tanto como o que importamos? Não será o consumo uma pedra de Sísifo que nos consome? Haverá solução ou resposta... em Portugal?!

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3 Comments:

Anonymous Marco Ferreira said...

Algumas coisitas vão-se produzindo (rolhas e afins) à medida da nossa dimensão. Só dentro da UE com os nossos parceiros, especialmente nuestros irmanos, é que teremos algumas hipóteses. Isto não quer dizer que as nossas gentes não possam tomar a iniciativa. Podem e devem.
Podemos ter orgulho de ser Portugueses, tudo bem. Mas porque não ter orgulho de ser Europeu.

12:59 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

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12:48 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

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9:46 da manhã  

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