segunda-feira, junho 25, 2007

A fuga pela porta do cavalo

Tony Blair resignou e, após dez anos de governação, encenou uma inglória fuga pela porta do cavalo e cede o lugar de primeiro-ministro e de líder do Partido Trabalhista a Gordon Brown. Talvez tenha sido uma das poucas boas decisões políticas que tomou... Internamente, a política desastrosa de Blair fez-se sentir sobretudo na privatização de serviços públicos e na implementação de leis anti-sindicais.
Mas é fundamentalmente à política externa que Blair deve a sua quebra de popularidade: a aliança com George Bush na infame e criminosa invasão do Iraque, a mentira colossal sobre a existência de armas de destruição maciça no regime de Saddam Hussein (o que lhe valeu o epíteto de "Bliar"), a informação confirmada pela prestigiada revista médica «Lancet» de que a guerra do Iraque já causou pelo menos cem mil mortos civis, ou a revelação do envolvimento directo e pessoal de Blair nas pressões para afastar o director-geral da BBC, que muito sabia sobre o caso Kelly, foram tristes exemplos de indignidade política da autoria deste súbdito da rainha.
Deste negro e extenso rol de acção como primeiro-ministro britânico, resultaram os atentados suicidas de 7 de Julho de 2005 em transportes públicos londrinos, nos quais morreram 56 pessoas, bem como o endurecimento da "guerra ao terrorismo" que serviu de pretexto à implementação de leis que põem em causa liberdades cívicas e que estão a ser usadas contra imigrantes e até britânicos de cor de pele diferente.
Por conseguinte, Blair foi uma nódoa negra; mas temo que o seu sucessor, Brown, a julgar pelo nome e pelo percurso político, vá ser pouco melhor, isto é, uma nódoa pouco mais clara: castanha!

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4 Comments:

Blogger O Micróbio II said...

"Deste negro e extenso rol de acção como primeiro-ministro britânico, resultaram os atentados suicidas de 7 de Julho de 2005 em transportes públicos londrinos, nos quais morreram 56 pessoas..."... hoje em dia pode-se justificar tudo, até mesmo actos terroristas. E o mais curioso é a conclusão: os culpados nunca são os terroristas!

9:55 da manhã  
Blogger antonio said...

Muito bem, mas não estaremos nós, hoje a cometer os mesmos erros de Blair?

Blair sai, outros continuarão o seu trabalho.

Muitos saiem, mas sempre alguém ocupa o lugar vago.

Importam-se de me explicar o que estamos a fazer no Líbano?

9:47 da tarde  
Anonymous Sem Quorum said...

Meu caro Micróbio: a tua habilidosa hermenêutica só ilude os mais distraídos e ignorantes. De facto, nunca afirmei que os terroristas não são culpados e por isso falo em "atentados suicidas", os quais, para quem souber ler e o fizer de boa fé, radicam em razões várias e uma das mais importantes é a política criminosa e tb terrorista de Blair e Bush no Iraque. [Não ponhas na boca de outros o que eles não disseram nem escreveram...] Ou seja, não fosse Blair um aldrabão e um terrorista (as suas mãos estão sujas de sangue, como autor moral da invasão iraquiana!) e muito provavelmente o 7 de Julho de 2005 não seria para lembrar por más razões. Ou duvidas que não foi por retaliação islâmica?
Quanto ao "hoje em dia pode-se justificar tudo": mas então o crente não és tu? Claro que para ti a culpa da Inquisição não foi da Igreja, mas do carrasco que ateou o fogo... Valha-te Deus!
Nota - não perdi a esperança de que um dia faças comentários pertinentes, sensatos, racionais e... não maniquestas! :)
Abraço!

10:20 da tarde  
Blogger morffina said...

God lead us to fight evil!

Oh, Cherrie, Cherrie! I shall become a Catholic and we shall spend our time together kneeling down and praying ... as you won't kneel for anything else...(sigh!)

7:53 da tarde  

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