quinta-feira, abril 05, 2007

Mentiras fundamentais da «Paixão de Cristo» - 4

4. O que significam as expressões "Filho de Deus" e "Reino de Deus"?
A expressão "Filho de Deus" era uma designação habitual para todos os judeus, os quais se consideravam todos como Povo Eleito, ou seja, "filhos de Deus". Portanto, a afirmação do evangelho de João (19, 7) posto na boca dos judeus - "Nós temos uma Lei e segundo essa Lei deve morrer, porque disse ser Filho de Deus" - é destituída de fundamento histórico.
Para os judeus, o "messias" não era Deus, mas sim um seu enviado; e alguém arrogar-se dessa condição (antes e depois de Jesus muitos foram os que ousaram fazê-lo!) não violava a Lei de Moisés nem era sancionável com a pena de morte. O que era blasfémia era a consideração que Jesus era filho carnal de Iavé (Deus), mas o nazareno nunca disse sê-lo, como judeu zeloso que prezava ser. Foram os evangelistas que, muito tempo após a morte de Jesus e longe da Palestina, inventaram tal filiação.
Por outro lado, os evangelhos asseveram que Jesus terá afirmado que o seu reino não é deste mundo (ver João 18, 36). Ora, essa noção é de Paulo e foi posteriormente transposta para os evangelhos como sendo da autoria do próprio cristo galileu, o que é implausível: para os judeus de então, o "Reino de Deus" em que criam e a que aspiravam seria materializado em vida terrena e no poder militar de Israel, que dominaria os outros povos; o "Reino de Deus" judeu era Israel libertado com um «messias-rei» legítimo sucessor de David, conforme profetizado no Antigo Testamento.
A interpretação de "Reino de Deus" como algo espiritual e post mortem não fazia, assim, o menor sentido para os interlocutores de Jesus, que eram judeus e não gentios!
Portanto, não havendo argumentos teológicos e religiosos que justificassem condenar Jesus à morte, mas querendo livrarem-se do perigo de mais um caudilho nacionalista de religiosidade inflamada, restava aos saduceus (facção dos judeus que detinha o poder sacerdotal no Templo) o recurso à lei romana, de que eram colaboradores. Assim, Jesus foi condenado à pena romana de crucificação por ser pretendente a Rei de Israel contra o poder imperial de Roma.

Etiquetas:

2 Comments:

Anonymous Jofre Alves said...

Passei para lhe desejar uma boa Páscoa. Um abraço.

6:07 da manhã  
Blogger morffina said...

Gravei em "os meus documentos" para digerir melhor.

Uma Santa Páscoa e que Deus te acompanhe (exceptuando para o WC).

Abraço
MF

7:41 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home